Quando o abuso sexual se repete: revitimização

por | abr 13, 2017 | Abuso, Corpo, Sexualidade, Terapia Sexual, Trauma

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ABRIL, 2017

Não é incomum que pessoas que foram vítimas de algum tipo de agressão sexual tendem a ser vitimizadas mais de uma vez.

Estudos indicam que crianças que sofreram abusos tendem a se tornar vítimas novamente durante a infância ou até mesmo na vida adulta. O mesmo vale para mulheres que sofreram violência por parte de um parceiro. Isto se chama revitimização e ela pode acontecer mesmo com anos de distância do primeiro abuso. Um estudo, inclusive, apontou que cerca de 27% de universitárias que sofreram algum abuso sexual passaram pela mesma experiência dois meses após o ocorrido.

Não é azar, menos ainda culpa da vítima

Vítimas de abuso e violência podem ter mais dificuldade em identificar e descrever estados emocionais e perceber com clareza as sensações físicas que indicam que há perigo ou algo errado em alguma situação. É como se elas ficassem desconectadas do próprio instinto, tendo mais dificuldade em ler os outros.
Elas tem diminuída a habilidade de perceber expressões faciais e atitudes que podem indicar que uma linha indevida foi cruzada, que houve a invasão de um espaço íntimo ou que foi manifestada uma intenção sexual. Isso pode levar à uma série de falhas de comunicação e, sem que a pessoa perceba, a interação pode se desenrolar em uma situação abusiva. Num piscar de olhos, ou até mesmo lentamente, pode ser tarde demais para escapar.

Saber reconhecer uma ameaça é abrir caminho para reagir à ela

Quem passou por diversos abusos pode também ter dificuldade de regular as próprias emoções. Desta forma, pode demorar mais para se acalmar e reagir diante de situações que causam ansiedade. Um exemplo deste tipo de situação é uma aproximação indesejada. A pessoa que passou por um abuso pode passar a “congelar” diante de situações desagradáveis, como se estivesse anestesiada. Diante de uma aproximação sexual ela pode, por exemplo baixar a cabeça, se encolher ou tensionar o corpo ao invés de fugir.

Há uma sensação de que algo não está certo, mas não se sabe muito bem o que, ou se é tão perigoso assim, ou se é abuso ou só o jeito de ser do fulano que está comigo. Nestes tipos de reação, a pessoa fica paralisada e há uma demora perigosa em reagir diante de situações que oferecem risco.

“Empoderamento” na prevenção e na terapia

Educação sexual e vínculos seguros, ou seja, vínculos com adultos que a criança confia, são importantíssimos na prevenção do abuso sexual porque instrumentalizam a criança para que ela reconheça sinais de perigo, aumente suas chances de escapar e a pedir ajuda à quem irá ouví-la e intervir para sua proteção. Ter a clareza do que é uma situação abusiva também é importante, tanto para crianças quanto para adultos. Recentemente, o Ross da série Friends (o ator David Schwimmer), lançou um projeto de vídeos no Facebook chamado “That’s Harassment“. O projeto tem o objetivo de trazer consciêncoa sobre o assédio sexual e consiste em vídeos baseados em histórias reais. Os videos podem ajudar as mulheres a reconhecerem situações abusivas, diminuindo aquela incerteza sobre o que está acontecendo.

No casso do abuso já ter ocorrido, ter o apoio correto das pessoas próximas é importantíssimo. A psicoterapia também pode ajudar no a fazer sentido e integrar a experiência como parte da própria história. A terapia corporal pode auxiliar na reapropriação do corpo, das sensações e dos limites. Ter habilidade em colocar limites é ter capacidade natural de reagir mais prontamente diante de situações indesejadas.

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