Abordagem Corporal

Aquilo que não é consciente manifesta-se no corpo

O que é abordagem corporal

A abordagem corporal em psicologia entende que os estados emocionais equivalem à estados corporais. É impossível, por exemplo, sentir-se calmo com o coração acelerado, a respiração curta e os ombros tensos. O psicólogo que trabalha com uma abordagem corporal se baseia também no corpo do paciente para compreendê-lo, averiguando a existência de sintomas físicos, tensões, queixas corporais o tônus do corpo e assim por diante. Diversas técnicas corporais podem ser utilizadas nas sessões a depender das necessidades do paciente.

Quais as técnicas utilizadas?

As técnicas utilizadas por um psicólogo corporal variam de acordo com sua linha de trabalho e formação. No meu caso, utilizo principalemente de Calatonia (do grego “khalao”, harmonia e “tonia”, tônus), variações que empregam toques sutis, Somatic Experiencig e algumas técnicas preparatórias ou adjacentes. São técnicas suaves que estimulam experiências multi-sensoriais e podem promover uma regulação e harmonização físio-psíquica.

Calatonia e toques sutis

São técnicas psicoterapêuticas que se utilizam de toques suaves e leves. Este tipo de toque facilita a auto-regulação do corpo e do sistema nervoso autônomo, ajudando o paciente a entrar em um estado de bem-estar e relaxamento. Uma disposição mais relaxada pode facilitar a assimilação e corporificação das novas percepções e dos insights e novos sentidos que vão sendo vividos ao longo da sessão de psicoterapia. Na calatonia toques são feitos nas extremidades do corpo, com o paciente deitado. Outras técnicas podem ser aplicadas com o paciente sentado.

O tato é o primeiro sentido a ser formado, o mais importante para a regulação emocional e, portanto, para a capacidade de formar vínculos saudáveis

Toques suaves relacionam-se aos padrões afetivos

Segundo pesquisas mais recentes, toques suaves ativam os receptores CT da pele, que se ligam ao sistema límbico. Este sistema é responsável pela regulação aos nossos padrões emocionais. Estes mesmos receptores estão então relacionados à nossa capacidade de criar e manter vínculos sociais e à relação mãe e bebê, mantendo portando uma ligação com nossa história psicológica não-verbal e pré-verbal.

Uma forma pouco convencional de tocar o corpo pode propiciar formação de novos caminhos neuronais, o que em um nível psicológico significa formas novas de pensar, de encontrar saídas para problemas e novas formas de se relacionar. A Calatonia e Toques Sutis, ajudam, ao longo do tempo, o paciente a aprender a relaxar por si mesmos. Por isso, pacientes muito diferentes podem se beneficiar destas técnicas: pessoas que passaram por traumas e estão propensos a ter pouco contato com o próprio corpo, pessoas com depressão, ansiedade, dificuldade de relacionamento, entre outros. Por serem técnicas suaves, têm poucas contraindicações e só não são recomendadas em alguns casos específicos. O uso ou não da técnica deve ser discutido com a psicóloga ou psicólogo.