Simbolismo dos Joelhos

por | abr 19, 2017 | Corpo, psicologia, Simbolismo, Terapia Corporal

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ABRIL, 2017

No início da vida, todos nós sentamos nos joelhos, no colo de alguém. E sobre os joelhos é que nos ligamos aos dois colos da mãe: o colo em que sentamos e no colo em que nos aconchegamos e mamamos.

Knésetja (literalmente “sentar no joelho”) é uma expressão nórdica  Sentados neste joelhos, estamos sentados sobre alguém com uma força e um poder muito maior que o nosso. É neste “trono”, formado pela postura sentada de quem cuida da criança pequena, que se ganha a importância e proteção social por ser filha de fulano ou de beltrano.

É neste lugar em que primeiro se aprender a escutar os mais velhos. Dar os joelhos para alguém sentar ou deitar pode ser um ato de carinho ou de apadrinhamento antiga para um costume de formalizar uma adoção colocando a criança adotada sentada nos joelhos do pai adotivo.

A adolescência é o período crucial em que lidarmos com o conflito entre a vontade de confrontar e o medo diante de figuras que detém mais poder social. Quando as autoridades – e portanto as regras – são sentidas como injustas ou opressivas, tendemos a rejeitar a humildade. Pode-se fazer um esforço para não demonstrar medo, para não se submeter e para manter-se inflexivelmente na mesma posição. Não nos ajoelharemos em reconhecimento de uma autoridade, nem parar implorar algo a alguém se julgamos que isto é humilhante.
Ao longo do tempo, se não encontramos um caminho mais flexível, fica crônica e inconsciente a contenção do impulso natural de “enfiar o rabo entre as pernas”, que exige que nos curvemos num formatinho de “C”, dobrando também os joelhos. Também pode perder-se o reconhecimento consciente da nossa busca por aceitação, por perdão e do medo humilde que temos de que o outro nos subjugue e ou nos humilhe.

PERMITIR QUE OS JOELHOS SE DOBREM É UM ATO DE HUMILDADE EM QUE RECONHECER QUE EXISTEM SITUAÇÕES QUE EXISTEM SITUAÇÃO EM QUE ESTAMOS DIANTE DE ALGO OU ALGUÉM QUE DETÉM MAIS PODER DO QUE NÓS 

A covardia é uma ferramenta necessária e importante de sobrevivência. Quando a vida ou alguém exerce uma força inquestionavelmente superior que nos assusta, o impulsos natural é enfiarmos o rabo entre as pernas num ato de submissão e fugirmos ou buscarmos por aceitação ou perdão. Se você já observou um cão, lembrará que quando ele faz esse gesto, seus joelhos dobram. O mesmo ocorre conosco. Num gesto mais enfático, podemos implorar de joelhos por misericórdia, por nossas vidas.

Permitir que os joelhos se dobrem é um ato de humildade em que reconhecemos que existem situações em que estamos diante de algo ou alguém que detém mais poder do que nós, que pode nos sobrepujar. Joelhos flexíveis permitem exercer a capacidade de se submeter conscientemente a algo ou alguém para conseguir um objetivo e saber quando a melhor opção é na realidade manter-se inflexível e distribuir socor e pontapé – literais ou metafóricos. As vezes esse algo pode ser uma lei da vida, uma regra social ou um chefe.

Os joelhos são muito importantes anatomicamente para mudarmos de direção ao caminharmos. Tente ziguezaguer com os joelhos duros. Mudar de direção, seja literalmente ou seja emocionalmente, na nossa vida profissional, afetiva ou sexual é algo que chega a tornar-se inviável sem esta flexibilidade. Neste momento se adoece emocionalmente ou fisicamente. A inflexibilidade pode ser tanta que perde-se a capacidade intrínseca que temos de desejarmos novos rumos: permanecer na mesma direção se torna uma espécie de fatalidade da qual não se pode escapar.
Esta espécie de teimosia às avessas não deixa de ser uma situação em que estamos nos obrigando a manter uma forma de agir, uma situação, um hábito ou até mesmo uma vida que no fundo nada nos obriga a manter. É o famoso “faço porque tenho que” esvaziado de sentido emocional. Isto pode abalar o valor que damos a nós mesmos, a gerar ressentimento com relação aos que nos cercam – afinal, estamos ali fazendo tudo o que temos que fazer – e no frigir dos ovos pode nos levar a nos tornarmos ainda mais rígidos para não nos dobrarmos diante dessas obrigações que nos subjugam.
Por outro lado existem os joelhos bambos, que parecem se dobrar espontaneamente e fora do controle. Quando isto acontece, é necessário sentar-se ou apoiar-se em algum lugar, é impossível continuar a caminhar, é impossível ir aonde se quer. Os joelhos podem bambear em um momento de forte emoção, seja por uma notícia desoladora, seja por uma excelente notícia, seja por uma paixão. É quando uma força muito maior e mais poderosa se anuncia. Em inglês, a expressão “weak knees” (“joelhos fracos”) tem inclusive conotação sexual, pode ser usada em ocasiões em que o sexo foi tão bom ou tao intenso que mal se pode ficar de pé. A intensidade e a entrega ao prazer pode deixar o amante atarantado, desorganizado, com sua própria autonomia comprometida. Deixar o outro de joelho bambo refere-se ao poder de sedução de uma pessoa.
Flexível, rígido, bambo, esticado, dobrado: joelho.